Sunday, January 04, 2009

Férias+preguiça de sair de casa= DVDs

Dia 29.12: Um Convidado bem Trapalhão, clássico da comédia, de Blake Edwards. Peter Sellers ótimo. Melhor ainda o ator cujo nome não sei, que faz o garçom bebado. Não se fazem mais comédias como antigamente.

Dia 30.12: Mary Poppins. Lindo. Músicas lindas. Efeitos lindos. Não se fazem mais musicais como antigamente. Amei o making of que tem no DVD extra.

Dia 02.01: Os Palhaços (I Clowns), de Fellini. Comprei esse DVD há alguns meses num feirão da 2001 por uns 10 reais. O filme é um sonho felliniano (oh, que novidade!). Não adianta, os grandes mestres não são considerados como tais por acaso. Fellini não é um grande mestre por acaso. Independentemente de gostar ou não, seus filmes são obrigatórios. Mesmo. Também adorei o documentário que vem nos extras "Eu sou um grande mentiroso".

Dia 03.01: Vou à pequena locadora mais próxima. Procuro pelo comentado "O Escafandro e a Borboleta". Locado. "Sonho de Cassandra". Não tem. "Mamma Mia". Locado. Pego então "Terra de Sonhos". A capa é bonita. Pela sinopse, parece ser uma história "tocante" de uma família irlandesa que vai tentar a vida em NY, narrada por uma criança. Assisto ao filme. As crianças são uma graça. Mas que decepção! Que raiva. Um filme racista, que tenta se passar por pacifista. Mais superficial impossível. Que raiva! Acho que fiquei mal acostumada pelos "grandes mestres" Fellini, Bergman, Tarkovski, e cia. Paciência. Paciência. E para a minha (in)felicidade, estréia nos cinemas "Se eu fosse você 2"! DOIS! Se não bastasse um, ainda fizeram o DOIS! A última esperança é "Entre Lençóis", com o Gianecchini. Pelo menos se for ruim, a fotografia deve ser "bela".

FIM.
1 ano e meio sem postar. Cá estou de volta!

Saturday, August 18, 2007

PARIS JE T'AIME



18 pequenas histórias, 18 grandes roteiros.



A idéia é a seguinte: 18 diretores internacionalmente renomados (entre eles os Irmãos Cohen, Gus van Sant e, claro, Walter Salles) reunidos em uma "obra coletiva". A única aparente semelhança entre as 18 obras é que se passam em Paris e têm como tema o amor.

É aí que se percebe que para fazer um bom filme não é preciso muito mais que uma boa história pra contar e bons atores. No caso desse longa-mosaico, pode-se dizer que todos (com excessão de 2 ou 3) curtas que o compõem, apresentam idéias "simples" mas que são clara e sensivelmente contadas em 5 minutos. Nào há nada de extraordinário e exatamente por isso o filme, ou melhor, os filmes, são geniais. E é essa simplicidade que está em falta na grande maioria dos filmes, sejam eles longas ou curtas metragens. Muitos dos curtas de "Paris je t'aime" poderiam ser exibidos isoladamente, como curtas mesmo. E, embora tão heterogêneos, nenhum desses cai nos clichês de filmes sobre amor e apresentam um ponto em comum que é a surpresa. A obviedade passa longe dos roteiros dos 18 curtas.

Não vou ficar enumerando os pontos positivos de cada um dos curtas, mas só digo que este é um filme que merece ser visto e contemplado. É a prova de que não existem regras para se fazer um bom filme. Podem ser filmes mudos, ter longos diálogos, vozes off, vozes over, mímica e até mesmo vampiros desde que tudo isso seja bem utilizado como em Paris Je t'Aime. Uma bela homenagem a Paris.

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Tuesday, March 13, 2007

PEQUENA REFLEXÃO SOBRE TEATRO E CINEMA

Cada vez mais as linguagens do teatro e do cinema tendem a se unir. Enquanto no princípio do cinema, na virada do século XIX para o século XX, o teatro era a principal referência cênica para o cinema, me parece que hoje o cinema como linguagem influencia (geralmente de forma muito positiva) o teatro. E é curioso que, nos primórdios da história do cinema, era comum a realização de filmes que não passavam de teatro filmado, ou seja, uma câmera parada em algum lugar da platéia (geralmente central) registrando o que acontecia no palco. Tal estilo (se é que o podemos chamar desta forma) não vingou e a resposta para tal fracasso é óbvia: o teatro é uma arte do presente. O teatro “representa”. E “representar” nada mais é que “trazer para o presente”. Portanto, neste aspecto, o cinema vai completamente de encontro com o teatro – enquanto o teatro é efêmero e existe somente naquele momento em que se dá a representação, o cinema sobrevive impresso na película exatamente da maneira como foi filmado.

Tuesday, February 06, 2007


O HUMOR ÁCIDO DE LITTLE MISS SUNSHINE


Fazia tempo que queria assistir a esse tão elogiado longa.

Um dos principais adjetivos que tinha ouvido sobre este filme era "bonitinho". Achei então que se tratava de um filme "bonitinho", uma comediazinha leve. Tive uma bela surpresa. De "bonitinho" o filme não tem nada.

Trata-se de uma crítica mais do que ácida à socidade norte-americana (e ocidental, diga-se de passagem) travestida em uma trama "bonitinha". Talvez tal adjetivo seja dado porque a protagonista é uma atriz mirim (excelente atriz, por sinal) e porque, imagino eu, se lêssemos uma sinopse ou o argumento do filme acharíamos que é mais uma comédiazinha leve, como citei linhas acima. Mas não é. E é isso que faz de "Little Miss Sunshine" um grande filme, quase genial. Nos primeiros dez minutos, achei que fosse ser mais uma velha história sobre "ganhadores e perdedores", mostrando comicamente uma família problemática (como se nenhuma família o fosse) e que no fim alguma lição de moral tipicamente yankee seria dada. Pelo contrário. O filme alfineta a "yankee way of life" do começo ao fim de uma maneira raramente vista nos filmes, justamente por ser sutil e travestido num humor irônico e numa trama aparentemente infantil.

Não vou citar aqui todos os temas que o filme aborda, são inúmeros, que transitam entre a ridícula obsessão dos homens capitalistas por "vencer" na vida e a "adultização" das crianças que se dá não só nos concursos de miss mas que é, às vezes inconscientemente, cobrada diariamente pelas famílias, pela escola e pela mídia.

Cada cena incomoda de uma maneira tão sutil que, a princípio é impossível sair indiferente da sala de projeção. É aí que está a genialidade do filme; e ao mesmo tempo o perigo - será que todos os espectadores percebem essa genial acidez?

Espero que este filme não tenha sido tão falado e elogiado (e até recebido uma indicação ao Oscar) simplesmente por mostrar o grande talento de uma pequena atriz. (aliás, o elenco inteiro esbanja talento, assim como a direção) Torço para que, se o filme for premiado (seria incrível!), seja assistido e refletido pelo público, não apenas contemplado. Afinal, é esta uma grande função do cinema, seja ele arte ou meio de comunicação: proporcionar reflexão.

Thursday, December 28, 2006

VIVA O CINEMA BRASILEIRO!

Recentemente, conversando com algumas amigas, ao recomendar o filme O Ano em que meus pais sairam de férias, tive que ouvir a pergunta: "Mas é brasileiro né?". Respondi que sim, por sinal um dos melhores filmes do ano. Há um tempo atrás (não muito) eu ficaria profundamente ofendida ao ouvir tal pergunta. Infelizmente as pessoas ainda acham mais garantido num fim de semana no shopping lotado assistir Jogos Mortais ao invés de um filme brasileiro. A atitude, em certo ponto, é compreensível pois, se a pessoa do exemplo dado acima resolver assistir o péssimo Sonhos e Desejos provavelmente sairá da sala achando que perdeu uma hora e meia vendo um filme brasileiro realmente muito ruim. Filmes bons e filmes ruins sempre existirão independentemente da nacionalidade. O Ano em que meus pais sairam de férias é um exemplo e um filme muito bom e que merece ser assistido. O filme se passa em 1970, ano dos 90 milhões em ação, em plena ditadura militar. É um filme sobre a ditadura, vista pelos olhos de uma criança, Mauro, cujos pais são presos políticos. Para não explicarem a situação embaraçosa, os pais dizem ao menino que vão "sair de férias" e o deixam no prédio do avô, um barbeiro judeu (interpretado por Paulo Autran numa, como sempre, ótima participação) que morre momentos antes do garoto chegar. Mauro acaba ficando sob cuidados do vizinho, também ótimo ator, à espera de seus pais, numa trama que envolve futebol, curiosidades, amizades e saudades. É impossível que o espectador não seja cativado pela simpatia do garoto e da garota que interpreta a amiguinha de Mauro, Hanna.

Outro aspecto marcante do longa é a fotografia. Usando e abusando de imagens vistas através de portas, janelas e objetos e correções de foco, a fotografia se encaixa perfeitamente na visão fragmentada que o protagonista Mauro tinha da realidade que vivia e que os adultos tentavam esconder. Não seria exagero dizer que trata-se de uma das melhores fotografias do cinema brasileiro recente.

Um filme brasileiro imperdível.

Sunday, October 29, 2006

MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO

A minha ausência no blog durante todos esses meses teve como motivo principal, além dos clássicos falta de tempo e preguiça de sentar aqui e dissertar sobre filmes, o fato de que nenhum filme visto ao longo deste período me mobilizou a ponto de me convencer a sentar e escrever.
Como no ano passado, o que me mobilizou foi a Mostra, que está acontecendo na cidade e deixando os cinéfilos enlouquecidos por quererem assistir tudo, o que é humanamente impossível.

Até agora consegui assistir seis filmes. Vou comentá-los abaixo na ordem que assisti:

1)A GRANDE FINAL, (ESP), Gerardo Olivares - Resquícios de Rousseau para ocidental ver

A proposta deste filme é, no mínimo, ambiciosa: mostrar em 3 cantos do mundo grupos de pessoas (índios da Amazônia, islâmicos de Marrocos e nômades do norte da Mongólia) em busca de algo comum: assistir a final da Copa de 2002, Brasil versus Alemanha. Embora sejam grupos bastante distintos culturalmente, o filme, com uma montagem inteligente e uma belíssima fotografia (e locações belíssimas) apresenta paralelamente conflitos distintos e ao mesmo tempo semelhantes girando em torno daquilo que os brasileiros chamam de "paixão nacional", mas aqui podemos chamar de "paixão internacional".
Não há dúvida de que há aqui uma estetização da pobreza e do subdesenvolvimento. Há. É um filme para ocidental ver. Nós, ocidentais, vemos e rimos daquilo que consideramos "primitivo". Rimos dos índios que não acham o lugar para ter o sinal da antena parabólica. Rimos porque pensamos: "olha como somos desenvolvidos e eles não". Será que nós somos tão desenvolvidos assim? Será que só porque temos TV a cabo para assistir a Copa e não precisamos puxar camelos podemos nos considerar superiores a ponto de rir? Estas são algumas questões que fiz para mim mesma quando terminou a sessão. Ao mesmo tempo senti neste filme um certo romantismo: os povos "atrasados" tecnologicamente possuem involuntariamente uma humanidade (?) que ocidental capitalista algum possui.

2) O ILUSIONISTA,(EUA) de Neil Burger

Ainda não aprendi que numa Mostra como essa é absurdo perder tempo com filmes americanos. Isso não significa que este filme seja totalmente perda de tempo. É uma fábula de um ilusionista que reencontra seu grande amor depois de muitos anos. O filme é tecnicamente muito bem acabado, com efeitos especiais competentes e a bela trilha de Phillip Glass. Porém creio que seja muito mais interessante LER o conto no qual o filme foi inspirado do quer assistir ao filme. Confesso que cochilei durante as irritantes vozes em off.

3)A VIDA REAL ESTÁ EM OUTRO LUGAR, de Frederic Choffat (SUÍÇA)

Uma estação de trem na Suíça e 8 vidas que se cruzam aleatoriamente. Assim poderia ser reduzida a sinopse deste longa. Uma bela crônica contemporânea. E o ambiente central nào poderia ser melhor escolhido: a estação. Quantas vidas que vêm em vão para destinos tão variados numa estação... Este filme é exatamente isso. Bem escrito, bem dirigido, bem atuado, bem fotografado e bem montado. Mais uma vez: uma bela corônica contemporânea.

4) VOCÊ DISSE QUE ME AMAVA, de Rudolph Thome (ALE)

O argumento é bastante interessante e a atuação (não lembro o nome da atriz que faz a protagonista) é ótima. Assim como "A vida real está...", este filme é uma crônica contemporânea. A história é de uma mulher, ex campeã olímpica de natação abandonada pelo marido e filha que vai em busca de um sentido em sua vida quando estava à beira do suicídio. Este tema (aliás recorrente em diversos filmes) é instigante, mas o filme podia ser um média metragem mudo. Praticamente as 2 horas de filme são os pensamentos da protagonista em off. Para quê?! Além de irritar os espectadores, essa voz em off na maior parte do tempo simplesmente narra as ações que vemos. Creio que seria muito mais interessante se ela apenas sugerisse ao invés de contar para o espectador tudo que pensa. Uma pena.

5)PAID, Laurence Hammers (HOL)

Murilo Benício no elenco - esta foi a razão pela qual assisti a esse filme. Não é nacionalismo barato não. E tenho que afirmar que o ator está exelente no papel do rapaz que, contra sua vontade, tornou-se um matador de aluguel e agora luta contra seu passado através de um garoto cujos pais foram assassinados por ele mesmo. Tecnicamente é um filme bom, bela fotografia, boa montagem, ótimo som. Mas o roteiro é cansativo. Filmes de gangsteres não são os meus favoritos.O filme é longo demais, apesar de ter somente 90 minutos de duração. Não sei. Não gostei.

6) 2:37, de Mukalli Talluri - Cruel mas necessário

Para mim foi a revelação da Mostra. Entrei na sessão sem nem fazer idéia do que veria, já que comprei o ingresso a olho de última hora. Se tivesse lido a sinopse provavelmente jamais assistiria a esse longa que apresenta a história de 6 adolescentes de um colégio australiano, cada qual com seus conflitos. No início dá a impressão de ser um "Tiros em Columbine" ou "Elefante" versão australiana. ("Elefante" é um dos meus filmes preferidos.) Mas não. O filme começa leve (até com alguns clichês) mas à medida em que a câmera que paira pelos corredores e vai penetrando no íntimo dos personagens adolescentes tão cheios de vida mas ao mesmo tempo tão angustiados e vulneráveis, o espectador vai se envolvendo de tal maneira que é impossível sair da sala de cinema indiferente.
É um filme que merece ser visto, analisado, refletido. Um filme que retrata um grupo (os adolescentes) que é esquecido quando mais precisava ser acolhido. Num determinado momento, eu me perguntava se o mundo não está como está justamente porque os adultos, quando estiveram nessa fase tão turbulenta, foram simplesmente ignorados. Mais do que isso, o filme mostra ainda como os adolescentes tratam-se e são tratados de uma forma tão cruel. Cruel como o mundo que eles virão a enfrentar - se resistirem.
Também não deixa de ser uma crônica contemporânea, mas muito mais perturbadora do que as anteriores. Um filme cruel. Mas necessário.
Poderia escrever uma tese sobre este filme. Mas vou deixar que VOCÊS assistam e me digam o que acharam.
Detalhe: o estreante diretor deste filme tem apenas 22 anos. Tem futuro.


Por enquanto é só...

Thursday, March 02, 2006


SE EU FOSSE VOCÊ


Dois meses depois de sua estréia nos cinemas, Se eu fosse você, o novo longa de Daniel Filho continua firme e forte em várias salas. Seu público já ultrapassou 1 milhão de espectadores, o que é uma grande vitória para um longa brasileiro. Está certo que todo esse sucesso se deve à eficiente propaganda do filme feita pela Rede Globo. Sem contar que os protagonistas do filme, Tony Ramos e glória Pires formam o par romântico da novela das 8.
O filme conta a história de um casal de classe média alta, Cláudio e Helena (Tony Ramos e Gloria Pires) que num belo dia trocam de corpos, ou seja, ele passa a ser ela e vice versa. Consequentemente, muitas confusões surgem a partir daí... É impossível não achar graça dos trejeitos femininos de Tony Ramos quando literalmente encarna sua esposa. É hilário. E não são trejeitos gays estereotipados, ele realmente se transforma numa mulher. Glória Pires também não faz feio encarnando um homem. Apesar da atuação medíocre do resto do elenco, o casal de protagonistas dá conta do recado.
Vamos agora ao conteúdo do longa. Se seu propósito é simplesmente fazer o espectador rir, ponto para ele. Porém, se não fosse a comicidade de Tony Ramos, o filme seria grotesco.
Ideologicamente, Se eu fosse você é preconceituoso e machista. O homem (Cláudio, o marido) é um publicitário bem sucedido e bem visto pela sociedade enquanto a mulher rege um “coral de criancinhas”, como ela mesma diz, numa escola de padres. “Eu tenho uma agência inteira pra cuidar, enquanto você só tem as criancinhas do coral”, diz o marido. É incrível a desvalorização que se dá àqueles que trabalham com “criancinhas”. Por que? Ainda se o marido fosse um médico que salva vidas, um professor que EDUCA seus alunos, ou até um ator cujo ofício é entreter as pessoas entenderíamos um pouco melhor essa supervalorização de seu trabalho. Mas ele não passa de um publicitário que, embora rico, não faz nada mais do que criar propagandas machistas. Mas eficazes. Caso contrário, ele não teria o padrão de vida que tem, afinal sua mulher é uma professorinha. Que coisa não? O fato é que na sociedade em que vivemos, qualquer trabalho que não seja diretamente voltado para o lucro é considerado menor e menos importante. É o caso dos professores, dos artistas, dos sociólogos, filósofos... Para que pensar, educar e criar se isso só gasta tempo e não traz dinheiro rapidamente para alimentar o sistema?
Ok, eu realmente temia que este texto sobre o filme acabasse virando um tratado revolucionário anti-capitalista... Não sou daqueles que usam camisa do Che Guevara, não sou comuna, assisto King Kong e tomo Coca Cola sem grandes problemas ideológicos. Mas esta foi uma reflexão que me veio à tona durante este filme aparentemente leve e despretencioso. Obviamente o filme não tem a intenção de gerar estas reflexões e é ai que mora o perigo de filmes como este. Camuflados entre uma piadinha e outra, valores como o preconceito, a ganância e o egoísmo são cuspidos ao espectador que não pediu nada além de um filme leve para se divertir num domingo à tarde.